Este post participa da promoção de aniversário do Efetividade.net, um blog sobre produtividade pessoal, comandado pelo Augusto Campos, famoso desde o br-linux.org. A promoção pede a divulgação do email de contato. Neste site, o contato está na página de abertura e não no blog, assim reproduzo aqui, o meu email.
Neste post vou descrever a minha experiência com mapas mentais para resolver um problema bastante comum: um relatório de atividades. No meu caso, tinha que prestar contas ao CNPq, das minhas atividades como pesquisador nos últimos três anos!! É claro que não vinha tomando nota, nos últimos anos, de tudo que eu fiz relacionado à pesquisa em Física (quisera ter tomado conhecimento das noções de produtividade antes). O relatório deveria dar conta das publicações, orientações, participações em bancas, prestações de contas, diárias, passagens, etc. Ao meu ver, esta é uma oportunidade de ouro para colocar em prática as poucas técnicas de produtividade aprendidas – e outras a que fui forçado a desenvolver. O problema é grande, exige solução rápida e a primeira coisa é começar a fazer o relatório.
Antes de partir para a descrição de como fiz o relatório, vale a pena discutir porque estes relatórios são necessários. Apesar do meu descontentamento em fazê-los (preferia fazer pesquisa em Física, acredite, ou preparando minhas aulas), os mesmos servem não só como prestação de contas – pequenas, é verdade, comparadas com as que nós vemos sendo todos os dias sendo burladas por quem deveria dar o exemplo – mas como auto-avaliação e aprendizado. Auto-avaliação é importante em um processo em que buscamos aumento de produtividade. Em uma avaliação destas, você pode ter idéia de quanto tempo/dinheiro gastou em cada atividade e qual foi o retorno. Ao final do relatório, já tinha desistido de dois projetos em favor de um que era mais importante, com maior chance de retorno, mas que vinha sido preterido pois era muito mais chato e trabalhoso. Este relatório portanto deveria descrever o que foi feito, o que se esperava, o que ainda estou fazendo e o que poderia ser feito ou gerado a partir deste ponto.
Com o problemão na mão, decidi experimentar a técnica de mapas mentais para fazer o famigerado relatório. Mapas mentais são diagramas para representar idéias, tarefas, etc. de maneira a facilitar a organização, visualisação e classificação das idéias. O diferencial dos mapas mentais é a estrutura não-linear das idéias. O verbete Mindmaps na Wikipedia, dá uma boa idéia e bons exemplos de como são os mapas mentais. O que eu gostei nos mapas mentais é que, de certa forma, eles seguem a filosofia do processador de textos TeX, de Donald Knuth. O TeX é um processador de textos que diferente dos editores de textos tradicionais, não te mostra como o texto vai ficar, à medida em que você for batendo: correções de forma, sintaxe, etc. podem desviar sua atenção do conteúdo, da sua idéia, que é o mais importante enquanto você escreve. Imagine-se escrevendo o final do seu livro de supense e que quando você vai digitando o clímax da história, a sua melhor idéia no livro todo, o teu editor de texto colore de <hi #ff0000>VERMELHO</hi>, dez palavras anteriores, incluindo um “você” que você digitou “voce”. Pressione BackSpace seis vezes e lá se vai a idéia do final surpreendente (WYSIBYGWYW=What You See Is Blocking You of Getting What You Want).
Em um mapa mental, o truque é este: você tem uma idéia central. Quando as idéias aparecerem, não se preocupe onde colocá-las no texto, isto é a forma. Aproveite o brainstorming, isto é o conteúdo. Coloque as idéias ligando-as a ramos, a partir da idéia central. Se o teu cerébro disser que agora é hora de desenvolver um destes ramos, aproveite a oportunidade e crie ramos secundários. Faça ligações com URLs, imagens, dados, etc. Se a idéia que brotou agora é muito diferente da anterior, faça um ramo diferente, com cor ou espessura diferente. Depois você pode eventualmente criar ligações entre ramos, mas primeiro crie, tenha as idéias, depois organize-as e as revise. Não se preocupe em que lugar do relatório elas vão aparecer. Isto vai ser natural. Se alguma idéia é particularmente brilhante (ou excepcionalmente ruim), faça um desenho indicando. Não se preocupe se está fazendo certo ou errado, estes conceitos não se aplicam: o mapa mental é seu.
Por que dizemos que o mapa mental é não linear ? Exatamente porque ele não segue uma linha de raciocínio, ou uma linha do tempo. Quando você, orgulhoso de ter construído o seu mapa mental, olhar para ele como um todo, se sentirá mais seguro em realizar o relatório, pois as idéias principais já estarão lá, mesmo que não estejam em ordem em que irão aparecer no relatório (que tem uma estrutura linear, por definição). Não só você já sabe sobre o que deve escrever, como o que deve ter importância e o que deve ser ressaltado.
Finalmente, podemos indicar algumas ferramentas para mapas mentais. A minha predileta é a caixa de lápis de cor (enquanto não tenho um Palm
) Embora você não precise de um computador, este pode te ajudar. Em particular, eu uso o Vym (View Your Mind), talvez por associar ao meu preferido vim. Embora não use 50% do que ele me oferece (talvez por ter poucas idéias
), tem me correspondido. Na Wikipedia, claro, você encontra uma lista de softwares para Mapas Mentais.
Como curiosidade, deixo aqui o mapa mental usado para gerar este post (lembre-se que ele representa como eu organizei as idéias, não é um gabarito de prova). Por ser um mapa curto, fica mais fácil comparar o mapa com o resultado final (clique no mapa para uma versão ampliada).
Discussão
Você pode explicar o porque de um palm ser útil para fazer uma coisas dessas ?
Do meu ponto de vista (que é de quem acabou de ouvir falar disso por esse post), é preciso uma folha de cartolina bem grande ou um quadro branco ou um computador (onde o papel é do tamanho que você definir).
A idéia parece ser boa. Está na fila para ser verificada em detalhes no final de semana. ...
Oi Mitre,
O Palm não seria o ideal para grandes projetos, embora o Vym permita que você faça mapas cujos branches levam a outros mapas ;) O Palm é ideal para usar os mindmaps para tomar notas, por exemplo. Um estudo (está na Wikipedia) mostrou que alunos que tomam notas usando o mindmap, conseguem ganhos de até 10% a mais no que é gravado (segundo eles, poderia ser mais, se os estudantes insistissem no método). O meu mindmap ficou grande pois exagerei no que está escrito, no Vym você pode associar notas aos branches. O meu mindmap foi, na verdade, uma mistura de mindmap para mim + algo pedagógico.
[]s
Bom dia!
Com toda certeza os mapas mentais são muito úteis. Talvez os 50% dos recursos que você não usa não sejam assim tão necessários. Você já conhece o Intelimap? www.intelimap.com.br
Cadê o código fonte?
Os livres já são beeem legais e no caso do Vym até pouco tempo atrás, era 100% pt-br também
. Com a experiência de vocês o Vym, Freemind (entre outros) poderiam ser ainda melhores. :D
Thadeu,
já tinha ouvido muito falar de mapas mentais, especialmente do pessoal mais ligado com auto-ajuda. Como sou meio preconceituoso em relação a esses “papos”, nunca fui atrás de saber do que se tratava. Sua nota foi muito interessante, ao mostrar que algo simples e quiça até intuitivo. Vou dar uma olhada nesses programas e ver se intruduzo esse método na minha rotina. Grande abraço.
Uma boa dica é o “Freemind”, uma excelente ferramenta para a elaboração de mapas mentais. É encontrada no www.sourceforge.net.
Legal o post! Sobre o Vym.. uma boa seria revisar a tradução pra pt-br, pois eu a iniciei mas já faz um tempo e não tenho acompanhado por falta de tempo :(. O Uwe parece ser um cara bacana, vale o esforço de manter o software traduzido e, de repente, ajudá-lo com algumas dicas de interface/novos recursos. :D