O ritmo de postagem está lento ultimamente. Pode-se supor que um blogueiro que não bloga regularmente é porque não tem o que escrever, porque não tem feito nada. Como não sou exclusivamente blogueiro, a razão é que ando atolado: chegaram máquinas novas, alunos novos, conferências, mês final de projetos, semana final de aulas com provas para mais de 50 alunos, gravação de vídeo sobre caos, proliferações de reuniões, etc. Vou atualizando aos poucos mas semana que vem, prometo voltar ao ritmo normal.
Uma novidade é que resolvi atualizar a lista dos artigos mais lidos. O Dokuwiki, programa que uso para blogar, não tem plugin para isto e a atualização é manual. A surpresa é que os posts mais lidos em junho eram sobre ciências e não sobre linux. Isto mostra uma inversão da tendência de uma ano atrás. Este blog comete o pecado número 1, segundo os grandes especialistas em blogues: não é dirigido a um público específico. Eu deveria escrever mais sobre ciências/física/evolução para agradar ao público cativo, só que estes posts são trabalhosos e exigem cuidadosa revisão: bem, na verdade, eu leio novamente, corto um tanto e publico. Posts técnicos sobre Linux, nem releio. Mais uma promessa, que não sei se vou cumprir, mas teremos mais posts de ciências neste mês de férias na UFF (sim, não temos greve há tempos, desde que o doutor sociólogo com duas aposentadorias precoces como professor, nos deixou). Eu, em particular, discordo dos orientadores de blogueiros: o Veríssimo escreve sobre qualquer coisa e eu leio sempre
As minhas diversões tem sido ler um pouco mais que o costume (ler papel, não monitores) e episódios de House (comprei duas temporadas). Por falar em ler, recebi um email hoje, de um amigão, proprietário de um sebo em Curitiba: o sebo Papirus. Um fotógrafo, frequentador assíduo do sebo, fez umas fotos e colocou no Flickr, em http://www.flickr.com/photos/marcelpaulo/sets/72157621106309552/show. É um trabalho genial, vale a pena visitar. Eu escrevi para ele e pedi a descrição do equipamento, afinal no Flickr aparecia como uma Canon Power Shot . O fotógrafo Paulo Marcel respondeu assim:
Te adianto, todas as fotos foram tiradas com uma digital portátil: Canon Powershot SD1000 e manipuladas (corte, rotação, ajuste de brilho/contraste, conversão a PB) com: Gimp 2.4.7 sobre plataforma: Debian GNU/Linux 5.0
Hmmm, sei. O cara tira umas super-fotos com uma Powershot e usa o Gimp, no Lenny para editar ?? Ué, não dizem que só o Photoshop é que pode fazer isto ??? Só para ter uma ideia, vejam esta foto:
Vai, aproveita que estamos de férias e visitem o álbum http://www.flickr.com/photos/marcelpaulo/.
P.S.: não ganhei nada com este post, não é jabá, mas o amigão da Papirus é meu primo. P.P.S.S.: bati o record de tags neste post.
Discussão
Aindo que o epíteto «fotógrafo» seja uma hipérbole para caracterizar o que eu faço — que eu considero como «permitir que meu olho olhe sem que eu interfira em demasia» —, meu olho agradece o entusiasmo de Thadeu com as coisas que eles (meu olho e Thadeu) olharam …
Jorge Luis Borges diz, na conferência dedicada a “As Mil e Uma Noites”, em “Siete noches”, que é justamente a noite extra que torna infinita a cifra de noites. Quem sabe uma tag mais e, além do record, você teria chegado ao infinito («e mais além» ?!):
fotografia
=D Thadeu, eu não conheço bem o gimp. Ja usei, mas muito superficialmente. Tenho certeza que de que é possível fazer muita coisa, pois contraste, corte, brilho, contraste etc… Até um software bem mais simples, como um picasa da vida faz muito bem.
Mas mas… para photoshop existem uma gama de plugins e actions ja muito bem estabelicidas. Eu faço aqui, uma promessa de que instalo linux e gimp o dia que alguém me mostrar edições como essas aqui: rs
http://fotosite.terra.com.br/images_new/colunistas/2005_08_04/foto1_229.jpg
http://4.bp.blogspot.com/_jGic-aQKEY8/Rks3g9-PCxI/AAAAAAAAAlg/QuIQZYJ0_ng/s400/dragan_4.jpg
http://andrzejdragan.com/
Abraços, Caetano
oi Caetano
a primeira promessa é conseguir o cartoon autografado do Carlos Ruas, do Um Sábado Qualquer, atualmente minha tirinha favorita. A outra, que você acabou de fazer, é fácil cumprir: http://www.gimp.org/~tml/gimp/win32/pspi.html . Como usar os plugins do Photoshop no Gimp, no Windows ou no Linux 32 bits :)
Aliás, vocÊ deveria ter linkado sua página, suas fotos são fantásticas também: qual mesmo o link da Santa Ceia ??
[]s
Opa! Ai fico interessante, ja to baixando o Gimp!
O meu site é meu nome msm, www.caetanovidal.com.br. E a Santa Ceia rs, tem um link pra ela aqui: http://www.caetanovidal.com.br/santaceia.jpg
Tem até uma propaganda do IF UFF nela rs
[]s
Um comentário a uma discussão que arrisca esterilizar-se: Edward Weston, Henri Cartier-Bresson, Eugene W. Smith, Ansel Adams, André Kertész, Paul Strand, Alfred Stieglitz, apenas para citar uns poucos nomes, não usavam Photoshop (nem Gimp …). A tecnologia é mera ferramenta, é meio e não fim. Não há Photoshop ou Gimp que salvem uma má foto … O que importa é: o olho !
Paulo
Olá Paulo Marcel, Primeiro parabéns pela série, eu vi toda no flickr e realmente gostei. Em especial a conversão pra P&B está muito boa, o que é no mínimo incomum com fotografias digitais.
Mas voltando ao assusnto… Ahh, isso vai longe. Pink Floyd, Led Zeppelin, Beatles, The Who e muitos outros, em seus melhores discos só gravaram em equipamentos de audio analogicos. Mas sempre usaram equipamentos de ponta, que em sua epoca eram exclusivamente analogicos. No entanto boto minha mão no fogo que se fossem gravar hoje em dia, só usariam protools HD num monitos de 32” eo escambau e mais um pouquinho.
Claro que Cartier-Bresson, Ansel Adams, Robert Kappa, Steve McCurry usavam filme exclusivamente, eles também costumavam usar equipamentos de ponta para suas finalidades. E usavam também de edição pesada (sim, pois é possível fazer edições inacreditavels num laboratorio quimico e de ampliação). Mas se olhar a relação de atuais fotografos da Magnum, como Alex Majoli, Christopher Anderson … Usam digital, e photoshop (ou gimp ou outro software). Essa é a ferramenta mais atual, e merece debate como eles certamente debatiam as questões relevantes dos meios analogicos a anos ou decadas atrás.
Abraços, Caetano
Caetano,
Há um dito budista que reza (a citação não é exata): «a mente é um machado que afiamos para que um dia possa ser usado para cortar o próprio cabo e torná-lo inútil». As artes japonesas primam pelo exercício exaustivo da técnica, para que em algum momento a técnica possa ser prescindida.
A tecnologia está aí: a praia pode e deve ser invadida e apropriada. Como você perspicazmente destacou, The Beatles, Ansel Adams, invadiram e dominaram amplamente suas «praias». Mas tecnologia é samurai: vira “ronin” se não serve a um senhor … Os refletores da discussão devem estar voltados aos «senhores» e não à «praia» …
Pouco importa se esta ou aquela tecnologia façam isto ou aquilo. Importa, sim, o que o «senhor» precisa dela. Micro-ondas faz maravilhas, mas eu não preciso, nunca precisei, de micro-ondas …
Abraço !
Paulo
PS: Para converter a PB, usei um plugin do Gimp chamado “BW Film Simulation” (pacote Debian gimp-plugin-registry) com os seguintes parâmetros:
Film: Ilford Delta 400 Pro & 3200 Increase Local Contrast Auto Levels Drop Gamma 10% Saturate
Confissão: Não compreendo todos esses parâmetros. Cheguei a eles por tentativa e erro …
Caetano,
Uma “coda” a meu post: uma «boa» (esse patanoso conceito …) foto pode ser realçada, melhorada com tecnologia. Uma «má» foto, nem Zeus lá em cima, tampouco Hades lá embaixo, podem ajudar …
Paulo
Opa Tadeu!
A única regra de ouro sobre blogues é, não siga regras de ouro nem gurus de blogue… seja simplesmente passional e escreva sobre o que gosta e/ou o que sabe
Eu gosto da “nuvem de tags” daqui
Thadeu !
Minha mãe é uma senhora de 60+ anos que nunca trabalhou fora de casa. Há alguns anos desabrochou para o universo dos computadores. O último presente de aniversário que lhe dei foi um HD externo, onde ela faz backup de seus arquivos rigorosamente não só toda semana como antes de qualquer mudança grande.
Ensinei a ela o pouco que sei do Gimp, que ela usa para redimensionar, rotacionar, recortar fotos, e fazer montagens. Com KeepNote, ela escreve mini-tutoriais para cada tarefa nova que ela aprende.
Voltando de um churrasco na casa de uma amiga com quem ela faz mosaicos, ela passou aqui em casa para pegar uma cópia do “Trinity Rescue Kit” (http://trinityhome.org): um vírus havia aparecido em seu pendrive, e ela estava preocupada que houvesse se espalhado pelo PC. Então me perguntou: «Marcel, qual é mesmo o endereço do site do Gimp ?». Durante o churrasco, conversando sobre fotos, uma amiga lhe perguntou que programa ela usava para «mexer» nas fotos, e ela recomendou o Gimp. Se prontificou a enviar à amiga o endereço do site e os mini-tutoriais que ela havia escrito.
Quando ela começou a aprender a usar o Gimp, vasculhamos a Web em busca de introduções claras, em Português. Não encontrei nada que me parecesse adequado a ela. Acabei comprando um livro que tampouco gostei. Também não conseguimos o Help do Gimp em Português. Ainda assim, com essa rarefação de material didático apropriado em Português, ela não desistiu, foi aprendendo, continua aprendendo, uma pequena tarefa de cada vez, e agora divulga e repassa o que conseguiu acumular.
Pois é, achei que você gostaria de ouvir essa estória. Não deixa de relacionar-se e ampliar o tema original do teu post.
Um abraço
Paulo
Olá Paulo
pedi ao meu designer oficial, Cadunico, que me passou umas referências em português para o Gimp. Acho o Gimpzine bem legal:
Sites: http://www.ogimp.com.br/ e http://www.gimp.com.br
Livro: http://novatec.com.br/livros/gimp/
Revista digital: http://www.ogimp.com.br/gimpzine/
Hands on: http://www.linuxsolutions.com.br/noticias/curso-hands-on-edic-o-profissional-de-imagens-com-gimp.html
infelizmente o hands on do Cadunico será só aqui no Rio.
[]s
Thadeu !
Você é um «vetor de transmissão» de conhecimento ! Oxalá o Adolfo Lutz nunca encontre uma vacina para você, muito pelo contrário, torço para que o seu «vírus» — cujo principal sintoma é a difusão contínua de conhecimento — se espalhe com mais tenacidade e descontrole que a Gripe Suína na Argentina …
O livro da NOVATEC é o que eu havia comprado para minha mãe. Não gostei dele, ela muito menos. Gosto do “Grokking the Gimp”, mas ela não lê em Inglês.
De gimp.com.br, eu já havia pescado alguns tutoriais para ela. O gimpzine eu não conhecia. Pena que entre Curitiba e o Rio de Janeiro há tanta distância geográfica (e anímica !): teria matriculado minha mãe no curso do teu designer.
Talvez não fosse necessário explicitar: muito obrigado por tuas generosas referências.
Abração !
Paulo
PS: O Jaime não conhecia o teu blog. Já corrigi a omissão …
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